13 de maio de 2018 às 11:40

Meus Vinis Favoritos - Briefcase Full of Blues

Se existe algo que atravessou o tempo foi a Sessão da Tarde, na TV Globo. Eventualmente, quando tenho a oportunidade de passar os olhos pela televisão em algum dia de semana, à tarde, lá está ela, invariavelmente, passando algum filme que não conheço e que me parece bobíssimo. Mas teve uma época que passava filmes que, realmente, eu tentaria fazer o possível para assistí-los. Como “Os Irmãos Cara de Pau”, nome dado no Brasil para “The Blues Brothers”, dirigido por John Landis.

Talvez o filme tenha passado pela primeira vez na TV aberta num dessas faixas de cinema que passam no sábado à noite, na mesma Globo. O fato é que eu associo o filme com a Sessão da Tarde dos anos finais de adolescência. Todo mundo que eu conhecia viu aquele filme: era engraçado, tinha música boa, grandes participações especiais, Mas quase ninguém da minha idade sabia o que tinha por trás dos irmãos Jake e Elwood Blues: não existia TV a cabo, nem internet e todo mundo ignorava o programa Saturday Night Live, onde surgiram os Blues Brothers.

O que era um quadro de programa humorístico – talvez o mais influente de todos, em toda a história da televisão – e era uma brincadeira séria: em abril de 1978 fez a abertura do Saturday Night Live, com “Soul Man”, clássico de Sam & Dave.

Capa de Briefcase Full of Blues, primeiro álbum dos Blues Brothers

Em novembro de 1978, o disco de estréia: “Briefcase Full of Blues”, o registro de um show gravado dois meses antes no Universal Amphitheater, em Los Angeles. Olhando pelo aspecto das planilhas, o negócio foi espetacular: chegou ao número 1 da Billboard 200 nos Estados Unidos e tornou-se um dos discos de blues mais vendidos da história.

Há méritos para isso, além da popularidade trazida pela televisão: o talento e o carisma de John Belushi e Dan Aykroyd, que davam vida aos irmãos Jake e Elwood, o repertório afiadíssimo e uma banda de respeito: Steve Cropper, que já trazia em seu currículo trabalhos gigantescos com Otis Redding, Booker T & the MG’s, Sam & Dave e com quase todo o elenco da Stax. Assim como ele, Donald “Duck” Dunn também havia sido membro de Booker T & The MGs. Paul Schaffer, que além de pianista, era o diretor musical do projeto, só fui perceber anos depois quem ele é: comandou durante três décadas a banda do programa de David Letterman. Talvez o mais desconhecido, para mim, era o baterista Steve Jordan, que, hahaha, tocou alguns anos depois na banda que acompanhou Chuck Berry no show de 60 anos do gênio do rock’n’roll. Depois, acompanhou Keith Richards em seu projeto X-Pensive Winos e tornou-se também produtor, trabalhando com gente como John Mayer, Herbie Hancock, John Scofield, além do velho stone. Ou seja, os Blues Brothers estavam cercadíssimos por gente pra lá de competente.

O disco abre com uma versão instrumental de “I Can’t Turn Your Loose”, de Otis Redding, que já emenda com “Hey Bartender”, de Floyd Dixon, e “Messin’ With the Kid”, gravada originalmente por Junior Wells. O lado A vai seguindo em temas de blues feitos para afastar os móveis da sala e balançar os pés, enquanto se toma a cerveja favorita até o momento realmente “bluesy”, com Shot Gun Blues, dos canadenses Downchild Blues Band. Este é o grande momento do outro guitarrista Matt “Guitar” Murphy, com um um solo sensacional.

Os Blues Brothers e sua excepcional banda

No lado B, mais três outros clássicos: “Groove Me”, de King Floyd, “I Don’t Know” de Willie Mabon e “Soul Man”, já anteriormente citada. Na sequência, talvez a minha música favorita do disco: “‘B’ Movie Box Car Blues”, composta por Delbert McClinton. Cheia de groove, já começa a preparar para o encerramento do disco, com “Flip, Flop & Fly”, de Big Joe Turner e uma reprise de “I Can’t Turn Your Loose”.

Depois deste lançamento, os Blues Brothers ainda lançaram mais dois álbuns até 1982, quando John Belushi morreu. Após sua morte, a banda se apresentou, com gente como Jim Belushi e John Goodman o substituindo. Mesmo com o encanto inicial já tendo diminuído, ainda fizeram uma apresentação no halftime do Superbowl em 1998 e o filme “The Blues Brothers” teve uma continuação, “Blues Brothers 2000”. Não me consta que tenha passado na Sessão da Tarde.

Fonte: UOL

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