12 de julho de 2018 às 04:00

Por que você deveria beber 3 xícaras de café ao dia, mas não passar disso

Consumido de norte a sul, o café era há até pouco tempo condenado por supostamente aumentar a pressão arterial e, assim, oferecer risco ao coração. O jogo virou, e hoje os estudos mostram um efeito benéfico não só ao peito, mas para o corpo todo. 

Consumido de norte a sul, o café era há até pouco tempo condenado por supostamente aumentar a pressão arterial e, assim, oferecer risco ao coração. O jogo virou, e hoje os estudos mostram um efeito benéfico não só ao peito, mas para o corpo todo. 

“Ele tem antioxidantes que combatem a ação dos radicais livres e, assim, previnem doenças cardiovasculares e outros males, como o AVC”, explica Guilherme Sangirardi, cardiologista membro da SOCESP (Sociedade de Cardiologia de São Paulo). Além disso, a própria cafeína tem suas vantagens.

“Ela possui ação estimulante do sistema nervoso central, que melhora concentração, humor e até o bem-estar”, aponta Rosana Perim, nutricionista gerente de Nutrição Assistencial do HCor (Hospital do Coração). Mas atenção: a dose segura é de até 400mg ao dia, o equivalente a cerca de quatro xícaras de café. E só. É que, ao exagerar, não só as vantagens são anuladas como os goles se transformam em risco para a saúde.

Um dos perigos aqui é a estimulação excessiva oferecida justamente pela cafeína. A velha história de que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. “Ela pode aumentar a liberação de adrenalina e cortisol, substâncias que levam ao aumento dos batimentos cardíacos”, aponta o cardiologista Marcelo Sampaio, coordenador Médico do Pronto Atendimento do Hospital BP Mirante, em São Paulo.

Em pessoas mais sensíveis, esse aumento pode provocar arritmias, quando a frequência cardíaca fica desregulada. O efeito estimulante além da conta também causa irritabilidade, ansiedade, insônia e agitação. Resumindo, ficamos no 220V, e não no bom sentido. “Se você sente esses sintomas, não precisa cortar o café de vez, mas deve reduzir o consumo”, orienta Sangirardi.

Outra região do corpo que se ressente do exagero é o estômago.  “O café pode irritar a mucosa gástrica e causar úlceras em quem suscetibilidade, o que não ocorre com todos, vale esclarecer”, destaca Rosana. Se for o seu caso, evite tomar de barriga vazia e divida as doses em porções menores ou misturadas com leite.

Tem mais uma coisinha: há uma dupla de substâncias no café chamada cafestol e cafeol, que, se consumidas em abundância, aumentam o colesterol no sangue.

Na maioria dos casos, o consumo é seguro, exceto para as arritmias, conjunto de desordens que altera os batimentos cardíacos. É que o vício em café é um desencadeador frequente desse problema. “Por isso, se a pessoa for do tipo que toma muitas xícaras, pedimos para que interrompa o hábito e, assim, às vezes conseguimos reverter o quadro”, aponta Sampaio. Depois de um tempo, a bebida é reintroduzida aos poucos e o médico observa a reação do indivíduo.

… também contém cafeína. Estamos falando do energético e outras bebidas e alimentos muito consumidos no dia-a-dia. “Chás escuros, como o mate e o preto, chá verde, refrigerantes à base de cola, chocolates e outros produtos com cacau também levam cafeína”, elenca Rosana. Para se ter ideia, uma lata de energético contém em média 80mg da substância.

Há ainda suplementos de cafeína, comercializados sob a alegação de emagrecer e melhorar a performance durante a prática de atividade física. Para esses, cuidado extra. “As pessoas usam cafeína como se fosse um combustível, mas isso está muito errado, pois pode forçar o coração além da necessidade dele”, alerta Sampaio.

“Quando fazemos exercícios, aumentamos a capacidade de maneira progressiva e o coração se adapta a essas etapas, mas a cafeína pode disparar uma frequência muito alta e ‘desadaptar’ o coração, o que aumenta o risco de resultados ruins, como uma arritmia”, aponta Sampaio. Geralmente não há nenhuma grande ameaça para a saúde nisso, mas em casos raros – especialmente se houver algum problema cardíaco desconhecido – o peito pode entrar em colapso.

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Fonte: UOL

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