IA virou a terceira pessoa do relacionamento? Tecnologia já interfere na paquera, nas conversas e até no apoio emocional
A inteligência artificial já escreve e-mails, organiza viagens, ajuda no trabalho e responde dúvidas do dia a dia. Agora, ela também começa a ocupar um espaço muito mais íntimo: os relacionamentos.
Dados publicados pelo Pew Research Center em 2026 mostram que 20% dos adultos americanos com menos de 30 anos já recorreram a chatbots para apoio emocional ou aconselhamento. Entre esse mesmo grupo, 7% dizem utilizar a tecnologia especificamente como companhia.
A IA também está entrando no relacionamento antes mesmo que ele comece.
Pesquisa realizada pela The Harris Poll em janeiro de 2026, com 2.177 adultos nos Estados Unidos, incluindo 778 solteiros, mostrou que cerca de 20% dos solteiros já utilizaram inteligência artificial em alguma etapa da vida amorosa. Entre os usos mais comuns estão responder mensagens de alguém por quem estão interessados, sugerir assuntos para iniciar conversas, planejar encontros, analisar perfis e escrever ou melhorar a primeira mensagem. Entre Millennials e integrantes da Geração Z, a abertura para utilizar IA nessas situações é ainda maior.
Para Caio Bittencourt, especialista em relacionamentos e porta voz do MeuPatrocínio, a discussão agora deixa de ser apenas tecnológica e passa a envolver autenticidade.
“Usar inteligência artificial para pensar em uma boa frase ou organizar uma ideia é uma coisa. O problema começa quando você terceiriza sua personalidade. Quando você tem um prompt que nem precisa da sua presença para funcionar. Se a IA escolheu suas fotos, escreveu sua bio, criou sua primeira mensagem e continua respondendo pela conversa, em algum momento a outra pessoa não está mais conhecendo você. Está conhecendo uma versão sua construída por prompt.”

